Guilherme Pacote – Metallica Cover Brazil, Hard And Heavy, Mary Pops e Laranja Mecânica

Pacote por Karai

Guilherme Fonseca Boucinhas, também conhecido como Pacote é guitarrista (do tipo sensacional) das bandas Metallica Cover Brazil, Hard And Heavy, Mary Pops e Laranja Mecânica (sim, ele não cansa). E ainda consegue tempo para ensaiar as músicas e tocá-las o mais fielmente possível, fazer alguns backing vocals, divulgar shows nas redes sociais, correr atrás de shows e ter uma agenda bem organizada para não marcar duas bandas no mesmo dia e horário. Com vocês, Pacotinho!!
Por Eduardo Gordo Davis – Karai

Falando um pouco sobre o passado, quais são as melhores memórias de quando começou a tocar?

Com certeza, a cena q existia na época (1986/87). O movimento era muito forte, várias bandas de muita qualidade e as amizades. E, claro, a Cogumelo, que era o ponto de encontro, além de ser a gravadora que todos queriam fazer parte.

Que bandas você ouvia quando começou a tocar?

Minha mãe é musicista, então sempre fui mto ligado à música de um modo geral, principalmente música erudita. Comecei a tocar cavaquinho aos 8 anos porque adorava chorinho, depois estudei violão clássico, mas quis ser guitarrista quando conheci Iron Maiden, Scorpions, Ozzy Osbourne, Judas Priest, Queen, AC/DC, Quiet Riot (tocou em BH na época), Whitesnake, Black Sabbath, Kiss, etc, basicamente quandodo aconteceu o primeiro Rock In Rio. Aí descobri o que queria ser na vida.

Você diria que eles foram uma influência em sua música?

Com certeza! Queria tocar igual, soar igual, então, mesmo que involuntariamente, quando eu ia compor, o que eu escutava acabava aparecendo nas composições.

Qual é a sua banda favorita?

É bem difícil escolher apenas uma. Cada época de nossas vidas temos uma preferida, ou várias, mas se for optar pelo conjunto da obra, diria que o Iron Maiden tem aquele lugar especial.

Qual é o seu disco favorito deles?

Piece of mind.

O que você tem ouvido recentemente?

Sempre fui de ouvir vários estilos musicais. De erudito à trash metal. Hoje em dia não escuto muita coisa nova. Prefiro escutar bandas mais antigas, mas tenho escutado muita música pop por estar tocando em uma banda desse estilo. As coisas novas não têm me emocionado, parece tudo mais do mesmo. Claro que há exceções, como Bruno Mars, Muse, Winery Dogs, Jesse J., Eddie Sheeran, John Mayer, Joe Bonamassa, mas quase sempre recorro à bandas mais antigas.

Quais são seus planos para o futuro?

Não sou muito de planejamento. Vou conforme as coisas vão acontecendo. Minhas bandas estão tocando bastante, então meu objetivo é tocar cada vez mais. Quero também voltar a estudar música pra poder voltar a dar aulas com mais didática.

Você já tocou e viajou com muitas bandas. Com quais mais se divertiu?

Todas as viagens são mto divertidas, mas há muito tempo fiz uma viagem com minha antiga banda (Poseidon), a única autoral que tive, e foi memorável. Fomos tocar em uma cidade do interior de Minas e aconteceu de tudo que se possa imaginar. Foram dois dias de muita diversão, autógrafos, bebedeira, paqueras e, claro, muito rock’n’roll.

Você tem vontade de ter outra banda autoral?

Tenho pensado no assunto. Regravar tudo que o Poseidon já fez e tô pensando num trabalho novo, mas só pra mim mesmo, sem nenhuma pretensão.

O metal mudou muito em termos de som e estilo durante esses anos. Quais são as suas impressões?

Acho que nem tinha como fugir disso. Quando eu comecei a tocar, era quase impossível conseguir um instrumento e equipamentos de qualidade, não tínhamos acessos aos livros de partituras e tablaturas, até mesmo os discos eram difíceis e/ou muito caros. Com a abertura do mercado, o acesso ficou mais viável, mais pessoas começaram a importar com preços cada vez mais acessíveis e com isso tínhamos instrumentos de muito melhor qualidade, além de começar a ter acesso aos livros de músicas e vídeo aulas de guitarra. Com a chegada da internet, aí a coisa explodiu. Você tinha bons instrumentos, ótimos materiais de aprendizado, além de poder ver seus ídolos tocando, ensinando nota a nota, suas músicas preferidas. Aí que eu acho que ficou tudo muito fácil e, naturalmente, a qualidade caiu. Ficou muito fácil montar uma banda, compor meia dúzia de músicas, gravar em casa e jogar na internet.
Outra coisa que contribuiu pra isso foi que a música hoje em dia, de um modo geral, ficou descartável. Não existirão mais bandas “mainstream”, isto é, que vieram pra ficar pro resto dos tempos. É difícil ver pessoas que compram CD, leem a ficha técnica, acompanham as letras, enfim, todo aquele ritual que as pessoas da minha época tinham. Hoje em dia é Spotify.

O rock ainda têm o poder de transformar mentalidades e efetivar mudanças sociais e políticas duradouras?

Sinceramente, acho que não. Acho que pode acontecer com um ou outro, apenas. Mesmo porque as grandes bandas que tinham esse poder estão acabando e seus integrantes morrendo. O rock atual não tem a menor chance.

Porque o Brasil acabou se transformando no país do sertanejo?

Porque é uma música de fácil compreensão. Porque vem da música caipira, de pessoas que musicalizavam suas histórias pessoais, seus amores e desamores. Faz parte da cultura brasileira. O sertanejo popularizou e comercializou. Aí virou febre, virou moda e ficou.

Pacotinho

Como resgatar e promover o metal nacional?

Apesar de achar que essa coisa de estilos seja cíclica, acho muito difícil isso acontecer. Primeiro que o metal nunca foi o estilo principal do Brasil e segundo que hoje em dia existe uma competição absurda onde um quer ser melhor que o outro a qualquer preço. E isso leva à total desunião das bandas. Enquanto as bandas não lutarem em prol de um mesmo objetivo, isso vai perdurar por muito tempo.

O que você tem a dizer para quem deseja sair do armário dos instrumentos empoeirando e quer viver de música?

Não seja louco a esse ponto. Vai estudar! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Agora sério. Falaria pra estudar muito, mas muito mesmo. O mercado tá cheio de músicos excelentes. E abra sua mente. Quanto mais estilos você tocar e dominar, mais chances você terá de se dar bem. Seja sempre profissional, pontual, educado e ponha duas coisas na cabeça:
1. Música é arte. Nunca foi, não é e nunca será competição.
2. Jamais confunda segurança com arrogância.

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